Compromissos do Espírita (Ação Social do CEEEU)
Conhecimento e fidelidade com os ensinamentos de Jesus.
Reconhecimento de que a Casa Espírita é a escola da alma.
Formação de múltiplos grupos de estudos, com base nos livros de Allan Kardec, para o conhecimento da doutrina espírita.
Compromisso com a sua reforma íntima, ou seja, sua educação e prática moral.
Desenvolver o altruísmo e caridade para com o nosso próximo.
Desenvolvimento do amor e da sabedoria.
Trabalho, solidariedade e tolerância, ao assumir compromissos educativos na formação dos trabalhadores da "Seara de Jesus".
A Reunião pública
Grupo Espírita Bezerra de Menezes - Autora: Vanda Simões
Objetivos
O Centro Espírita, sendo um posto avançado da Espiritualidade na Terra, no dizer dos Espíritos, tem que se preparar para desempenhar essa tarefa a contento. Sabe-se que as pessoas que buscam auxílio nos centros espíritas o fazem através das reuniões públicas. Isso faz desta atividade uma das mais graves da casa espírita e tem que se ter o maior cuidado em elaborá-la, pois do seu bom desempenho dependerá a maior ou menor afluência das pessoas aos centros, e, consequentemente, ao contato com a Doutrina Espírita. O objetivo do Centro Espírita deve ser o de levar às pessoas a mensagem do Mestre Jesus, à luz do Espiritismo. Através desses ensinamentos o homem se instrui, se encontra e se reeduca, reformando conceitos e modificando hábitos, tendo consequentemente melhor qualidade de vida. Essa deve ser a tarefa maior das casas que se propõem a trabalhar na seara do Cristo. Diz Allan Kardec que uma religião que não servir para transformar o homem para nada serve. Necessário, portanto, se observar com cautela todos os ensinamentos que estão sendo ministrados nas reuniões públicas, pois deles dependem a libertação de muitos.
O público que frequenta as reuniões públicas dos centros espíritas é bastante heterogêneo e flutuante.
Quase ninguém vai a casa pela primeira vez por amor à causa, uma vez que nem conhecem a Doutrina. Vão porque estão angustiados, desesperançados, insatisfeitos, perdidos nesse emaranhado de coisas que o materialismo exige das pessoas. A reunião, pois, deve atender aos anseios dessas criaturas, tendo como proposta fundamental trazer-lhes mensagens de ânimo, coragem, fé e consolo.
A formação espírita Espírita
O movimento espírita também começa a discutir a questão da qualificação do seu trabalhador, surgindo a afirmação de que "o nosso movimento não comporta mais o voluntário apenas com o currículo da boa vontade".
Marcus Alberto De Mário - Rio de Janeiro - RJ
A formação espírita é imprescindível para que o Centro Espírita, como entidade representativa da Doutrina, possa, através de seus trabalhadores, cumprir com sua missão.
A sociedade atual, diante dos desafios da existência, vem cada vez mais percebendo a necessidade do ser humano estar capacitado para exercer suas funções dentro da coletividade, seja na ordem econômica, política, social, cultural, tecnológica, psicológica, enfim, dentro dos diversos fatores que compõem a vida humana. Assim, são vários os programas de capacitação que, aplicados, visam qualificar o indivíduo para cumprimento de suas obrigações profissionais, familiares e sociais, num combate à ignorância, ao analfabetismo e à baixa escolaridade. Este fenômeno social acompanha o avanço vertiginoso dos meios de comunicação, das formas de produção, das pesquisas científicas, num momento em que a qualidade está se colocando acima da quantidade e do simples conhecimento.
O movimento espírita também começa a discutir a questão da qualificação do seu trabalhador, surgindo a afirmação de que "o nosso movimento não comporta mais o voluntário apenas com o currículo da boa vontade".
Uma leitura atenta de "O Livro dos Espíritos" mostra-nos que Allan Kardec, em 1857, já referendava essa opinião, quando na Introdução escreve:
1. O que caracteriza um estudo sério é a continuidade (item 8).
2. Quem quer adquirir uma ciência deve estudá-la de maneira metódica, começando pelo começo e seguindo o seu encadeamento de idéias (item 8).
3. Eis porque dizemos que estes estudos requerem atenção contínua, observação profunda e, sobretudo, como aliás todas as ciências humanas, a continuidade e a perseverança (item 13).
4. Que ninguém, portanto, se iluda: o estudo do Espiritismo é imenso; liga-se a todas as questões metafísicas e de ordem social; é todo um mundo que se abre diante de nós. Será de se espantar que exija tempo, e muito tempo, para a sua realização? (item 13)
5. A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos, e os conhecimentos que esse ensino encerra são muito sérios para serem adquiridos por outro modo que não por um estudo profundo e continuado(...) (item 17).
Esses cinco itens são enfeixados na proposta de um Curso Regular de Espiritismo, cujo esboço foi publicado após sua desencarnação, no livro "Obras Póstumas". O codificador já se preocupava com a formação do espírita, e propunha um meio: os cursos.
Em 1968, o professor José Herculano Pires, baseado nesta visão de Kardec, apresentou a tese "Escolas de Espiritismo", aprovada pelo 4o Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas. Entre suas argumentações, destacamos as que se encontram no item dois:
1. O Espiritismo é um processo cultural e deve ser encarado como tal. Abrange todo o campo do conhecimento, toca em todos os ramos da ciência, como acentuava Kardec, e representa mesmo aquele momento de síntese do conhecimento de que nos falaram Léon Denis e Oliver Lodge.
2. O campo de atividades espíritas aumentará na proporção em que melhor compreendermos a Doutrina e sua profunda significação na vida mundana.
3. Ou tratamos o Espiritismo a sério, dando-lhe por nós mesmos o lugar e do direito de cidadania que lhe cabem no mundo cultural, ou lhe negamos, também nós, o que os adversários sempre lhe negaram.
Após várias outras considerações, encerra a tese apresentando um programa para um curso de quatro anos de duração, sendo o mesmo dividido nas cadeiras de Doutrina Espírita, Filosofia Espírita, Ciência Espírita e Religião Espírita. Sua visão universitária propôs uma formação abrangente e profunda, que pode ser lida, em sua inteireza, no livro "Pedagogia Espírita".
Na década de 80, surge o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, patrocinado pela Federação Espírita Brasileira, como uma tentativa de fazer com que os Centros Espíritas adotassem os grupos de estudo, regularmente constituídos, tal qual na visão de Allan Kardec, para melhor capacitação dos Espíritas, com duração média de quatro anos, num curso com aulas semanais.
Como vemos nesta síntese, a formação espírita é imprescindível para que o Centro Espírita, como entidade representativa da Doutrina, possa, através de seus trabalhadores, cumprir com sua missão. Não podemos, por alerta do próprio codificador, estacionar apenas na boa vontade, embora esta seja sempre substancial em todos os ramos da atividade humana.
Voltando a Allan Kardec, como encerramento deste estudo, dele reservamos esta visão profunda:
"(O Livro dos Espíritos tem por fim) guiar os homens desejosos de se esclarecerem, mostrando-lhes nestes estudos um objetivo grande e sublime, o do progresso individual e social, e indicando-lhes o caminho a seguir para a sua consecução"( O Livro dos Espíritos, Introdução, item 17).
O roteiro de estudos, portanto, está na obra básica; a forma de melhor estudar são os cursos. Que os Centros Espíritas providenciem a qualificação do espírita para cumprimento das finalidades do Espiritismo de regeneração do homem e da humanidade.
Marcus Alberto de Mário é autor do livro " Visão Espírita da Educação", Editora O Clarim.
(DIRIGENTE ESPÍRITA Nº 57 - JANEIRO E FEVEREIRO DE 2.000 - http://www.use-sp.com.br/de57materias.htm)