O que é basicamente Espiritismo ?
Os princípios fundamentais da filosofia espírita, conforme descritos por Allan Kardec em um discurso que apresentou por ocasião do dia de finados e que está publicado na Revue Spirite de dezembro de 1868 são:
" Crer num Deus todo-poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e na sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificativa da presente existência; na pluralidade das existências como meio de expiação, reparação e adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na remuneração equitativa do bem e do mal, segundo o principio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para criatura alguma; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, deixando-lhe a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que liga todos os entes passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterna; aceitar corajosamente as provas, visto ser o futuro mais desejável que o presente; praticar a caridade por pensamentos, palavras e obras, na mais ampla acepção do vocábulo; esforçar-se cada dia para ser melhor do que na véspera, extirpando da alma alguma imperfeição; submeter todas as suas crenças ao controle do livre exame e da razão e nada aceitar por uma fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam e não violentar a consciência de ninguém; ver enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus".
Já que o Espiritismo foi codificado por Allan Kardec, isto quer dizer que ele existia não codificado ?
Eis uma tentativa de resposta: Allan Kardec empreendeu o trabalho de pesquisa científica dos fenômenos mediúnicos, de análise dos ensinamentos fornecidos pelos espíritos e de suas consequências filosóficas e morais, de agrupar tudo isso em um corpo coerente de conhecimentos (criando inclusive a palavra "Espiritismo" para designa-lo). A esse trabalho se denomina "codificação" do Espiritismo. Antes da codificação existiam os fenômenos, existiam estudos a respeito, analises cientificas e até doutrinas baseadas neles, mas geralmente de forma isolada, sem uma visão global e geralmente sem continuidade.
Como saber mais sobre o Espiritismo ?
As melhores fontes sobre o Espiritismo são as obras de Allan Kardec : O Livro dos Espíritos; O Evangelho Segundo o Espiritismo; A Génese;O Céu e o Inferno; Obras Póstumas; Colecão Revista Espírita;
O Espiritismo em sua expressão mais simples;
Pensamentos e Filosofias Espíritas
(Pela Equipe do CEEEU)
Aquele que mente, está pronto para enganar toda a humanidade.
São fortes nossas tendências, mas não são imbatíveis..
O tempo, a vontade e a perseverança são nossos instrumentos de trabalho a serviço de nossa evolução moral.
A verdade tem que ser dita, mesmo machucando.
Ninguém colhe a paz, semeando tempestade.
Pensar é muito bom, perseverar no bem é melhor e colocar em prática a caridade nos aproxima de Deus.
O pensamento é como uma pedra bruta, tem que ser lapidada as suas arestas, tratada as suas superfícies, para brilhar diante de nossos olhos.
A vida nos oferece todas as oportunidades de aprendizado, mas a escolha da prática é a nossa responsabilidade.
Quando ferimos alguém, plantamos um espinho em nossa consciência.
A paz se conquista com trabalho e dignidade.
Gravamos em nossa consciência os pensamentos emitidos e captados por nossa alma, saibamos filtra-los adequadamente.
COMEÇAR DE NOVO
Pelo espírito de Emmanuel
Esqueces-te, porém, de que a própria sabedoria da vida determina que o dia se refaça cada amanhã.
Começar de novo é o processo da Natureza, desde a semente singela ao gigante solar.
Se experimentaste o peso do desengano, nada te obriga a permanecer sob a corrente do desencanto. Reinicia a construção de teus ideais, em bases mais sólidas, e torna ao calor da experiência, a fim de acalentá-los em plenitude de forças novas.
O fracasso visitou-nos em algum tentame de elevação, mas isso não é motivo para desgosto e autopiedade, porquanto, freqüentemente, o malogro de nossos anseios significa ordem do Alto para mudança de rumo, e começar de novo é o caminho para o êxito desejado.
Temos sido desatentos, diante dos outros, cultivando indiferença ou ingratidão; no entanto, é perfeitamente possível refazer atitudes e começar de novo a plantação da simpatia, oferecendo bondade e compreensão àqueles que nos cercam.
Teremos perdido afeições que supúnhamos inalteráveis; todavia, não será justo, por isso, que venhamos a cair em desânimo.
O tempo nos permite começar de novo, na procura das nossas afinidades autênticas, aquelas afinidades suscetíveis de insuflar-nos coragem para suportar as provações do caminho e assegurar-nos o contentamento de viver.
Desfaçamo-nos de pensamentos amargos, das cargas de angústia, dos ressentimentos que nos alcancem e das mágoas requentadas no peito! Descerremos as janelas da alma para que o sol do entendimento nos higienize e reaqueça a casa íntima.
Tudo na vida pode ser começado de novo para que a lei do progresso e de aperfeiçoamento se cumpra em todas as direções.
Efetivamente, em muitas ocasiões, quando desprezamos as oportunidades e tarefas que nos são concedidas na Obra do Senhor, voltamos tarde a fim de revisá-las e reassumi-las, mas nunca tarde demais.l
Do livro "Alma e Coração", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel
O ESPIRITISMO E O MUNDO ESPIRITUAL
Extraído do Livro "O que é o Espiritismo" de Allan Kardec
O Espiritismo não descobriu nem inventou os Espíritos, como não descobriu o mundo espiritual, no qual se acreditou em todos os tempos; todavia, ele o prova por fatos materiais e o apresenta em sua verdadeira luz, desembaraçando-o dos preconceitos e idéias supersticiosas, filhos da dúvida e da incredulidade
Ante a incerteza das revelações feitas pelos Espíritos, perguntarão: para que serve, então, o estudo do Espiritismo?
Para provar materialmente a existência do mundo espiritual. Sendo o mundo espiritual formado pelas almas daqueles que viveram, resulta de sua admissão a prova da existência da alma e sua sobrevivência ao corpo.
As almas que se manifestaram, nos revelam suas alegrias ou seus sofrimentos, segundo o modo por que empregaram o tempo da vida terrena; nisto temos a prova das penas e recompensas futuras.
Descrevendo-nos seu estado e situação, as almas ou Espíritos retificam as idéias falsas que faziam da vida futura e, principalmente, acerca da natureza e duração das penas.
Passando assim a vida futura do estado de teoria vaga e incerta ao de fato conhecido e positivo, aparece a necessidade de trabalhar o mais possível, durante a vida presente, que é tão curta, em proveito da vida futura, que é indefinida.
Suponhamos que um homem de vinte anos tenha a certeza de morrer aos vinte e cinco anos, que fará ele nestes cinco anos que lhe restam? trabalhará para o futuro? certamente que não; procurará gozar o mais possível, acreditando ser uma tolice submeter-se a fadigas e privações, sem proveito. Se, porém, ele tiver a certeza de viver até aos oitenta anos, seu procedimento será outro, porque então compreenderá a necessidade de sacrificar alguns instantes do repouso atual para assegurar o repouso futuro, durante longos anos. O mesmo se dá com aquele que tem a certeza da vida futura.
A dúvida relativamente a esse ponto conduz naturalmente a tudo sacrificar aos gozos do presente, daí ligar-se excessiva importância aos bens materiais.
A importância que se dá aos bens materiais excita a cobiça, a inveja e o ciúme do que tem pouco contra aquele que tem muito.
Da cobiça ao desejo de adquirir, por qualquer preço, o que o vizinho possui, o passo é simples; daí ódios, querelas, processos, guerras e todos os males engendrados pelo egoísmo.
Com a dúvida sobre o futuro, o homem, acabrunhado nesta vida pelo desgosto e pelo infortúnio, não vê senão na morte o termo dos seus sofrimentos; e assim, nada esperando, procura pelo suicídio a aproximação desse termo. Sem esperança de futuro é natural que o homem seja afetado e se desespere com as decepções por que passa. Os abalos violentos que experimenta, repercutem-lhe no cérebro e são a fonte da maioria dos casos de loucura.
Sem a vida futura, a atual se torna para o homem a coisa capital, o único objeto de suas preocupações, ao qual ele tudo subordina; por isso, quer gozar a todo custo, não só os bens materiais como as honrarias; aspira a brilhar, elevar-se acima dos outros, eclipsar os vizinhos por seu fausto e posição; daí a ambição desordenada e a importância que liga aos títulos e a todos os efeitos da vaidade, pelos quais ele é capaz de sacrificar a própria honra, porque nada mais vê além. A certeza da vida futura e de suas conseqüências muda-lhe totalmente a ordem de idéias e lhe faz ver as coisas por outro prisma; é um véu que se levanta descobrindo imenso e esplêndido horizonte.
Diante da infinidade e grandeza da vida de Além-Túmulo, a vida terrena some-se, como um segundo na contagem dos séculos, como o grão de areia ao lado de uma montanha. Tudo se torna pequeno, mesquinho, e ficamos pasmos de haver dado importância a coisas tão efêmeras e pueris. Daí, no meio dos acontecimentos da vida, uma calma, uma tranqüilidade que já constituem uma felicidade, comparadas às desordens e tormentos a que nos sujeitamos, com o fito de nos elevarmos acima dos outros; daí, também, para as vicissitudes e decepções, uma indiferença que, tirando todo motivo de desespero, afasta numerosos casos de loucura e desvia forçosamente o pensamento do suicídio.
Com a certeza do futuro, o homem espera e se resigna; com a dúvida perde a paciência, porque nada espera do presente.
O exame daqueles que já viveram, provando que a soma da felicidade futura está na razão do progresso moral efetuado e do bem que se praticou na Terra; que a soma de desditas está na razão dos vícios e más ações, imprime em quantos estão bem convencidos dessa verdade numa tendência, assaz natural para fazer o bem e evitar o mal.
Quando a maioria dos homens estiver convencida dessa idéia, quando ela professar esses princípios e praticar o bem, este, impreterivelmente, triunfará do mal aqui na Terra; procurarão os homens não mais se molestarem uns aos outros, regularão suas instituições sociais - tendo em vista o bem de todos e não o proveito de alguns; em uma palavra, compreenderão que a lei da caridade ensinada pelo Cristo é a fonte da felicidade, mesmo neste mundo, e assim basearão as leis civis sobre as leis da caridade.
A demonstração da existência do mundo espiritual que nos cerca e de sua ação sobre o mundo corporal, é a revelação de uma das forças da Natureza e, por conseqüência, a chave de grande número de fenômenos até agora incompreendidos, tanto na ordem física quanto na moral.
Quando a Ciência levar em conta essa nova força até hoje desconhecida, retificará imenso número de erros provenientes de atribuir tudo a uma única causa: a matéria. O conhecimento dessa nova causa, nos fenômenos da Natureza, será uma alavanca para o progresso, produzirá o efeito da descoberta de um agente inteiramente novo.
Com o auxílio da lei espírita, o horizonte da Ciência se alargará, como se alargou com o da lei da gravitação.
O Espiritismo ensina poucas verdades absolutamente novas, ou mesmo nenhuma, em virtude do axioma - nada há de novo debaixo do Sol.
Só as verdades eternas são absolutas; as que o Espiritismo prega, sendo fundadas sobre leis naturais, existiram de todos os tempos, pelo que encontraremos, em todas as épocas, esses germens que, mediante estudo mais completo e mais atentas observações, conseguiram desenvolver. As verdades ensinadas pelo Espiritismo são antes conseqüências que descobertas.
O Espiritismo não descobriu nem inventou os Espíritos, como não descobriu o mundo espiritual, no qual se acreditou em todos os tempos; todavia, ele o prova por fatos materiais e o apresenta em sua verdadeira luz, desembaraçando-o dos preconceitos e idéias supersticiosas, filhos da dúvida e da incredulidade.